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NEO-FUNKEIROS
Por Martina Carli
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Gerson King Combo, um dos precursores do black power no Rio Fonte – revista digital Sesc SP |
É bem verdade que o funk não é novidade aqui no Brasil. Desde os anos 70, as periferias já produziam batidões inspirados em gringos como Grand Master Flash, James Brown, Afrika Bambaata e o soul-man brasileiro Gerson King Combo. Desde sempre, o DJ nacional de maior destaque no ritmo foi Marlboro, que já em 89 ganhou o primeiro lugar do "Campeonato Brasileiro de DJs".
O funk tipicamente nacional, com vocais em português, que discorriam de temáticas que iam da sensualidade à vida nos morros, tem quase vinte anos de existência. Durante este tempo o ritmo passou por muitas fases e chegou na grande mídia há aproximadamente uma década.
Os precursores que podem ser citados são Tim Maia, Carlos Dafé, Lady Zu e Tony Tornado, fundadores do movimento Black Power no Rio. Bondes, como Soul Grand Prix e Furacão 2000, foram os primeiros a introduzirem um ritmo mais rápido e sexy, influenciado pelo Miami Bass.
Com bailes cada vez mais lotados e MCs fazendo sucesso em programas de TV, o funk virou mania em meados de 95.
Nos anos seguintes apareceram os sucessores de duplas como Cidinho & Doka e Claudinho & Bochecha: eram os bondes que estouraram em todo o país, fazendo dos sons de baile um produto-tipo-exportação. Hits do Bonde do Tigrão e de Verônica Costa, a "mãe loura do funk", como: "Cerol na mão", "Tapinha", "Dança da Motinha" e "TchuTchuca" tocaram à exaustão em todas as rádios, sendo utilizadas até em campanhas publicitárias internacionais.
Com esta superexposição, o pancadão foi condenado ao ostracismo e esquecido por alguns anos nas redes de rádio e televisão.
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Tati-Quebra-Barraco, a maior musa que o funk já teve |
Já é
Desde o ano passado, o estilo voltou com tudo, ocupando espaços inéditos no lazer e cultura. Com ele, veio uma nova musa emergida de Belford Roxo: Tati Quebra Barraco, a principal responsável pelo retorno triunfante dos batidões fora do Rio de Janeiro.
Tatiana dos Santos Lourenço, é, atualmente, "a feia que mais está na moda", como ela mesma afirma. A funkeira sempre freqüentou os bailes de sua comunidade, e lá que aprendeu a cantar e requebrar. Quem também voltou ao grande público é o DJ Marlboro, o mais requisitado do momento.
Músicas como; "Sou feia, mas tô na moda", "Dako é bom" e "Atola" começaram a chamar a atenção por sua irreverência e ambigüidade com expressões de sentido sexual. "Caqui" é outro exemplo de um título revolucionário para quem nunca freqüentou o baile e não está interado com o universo dos funkeiros.
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Marlboro, o DJ veterano mais requisitado do momento Fonte – Uol Musica |
Como o interesse foi cada vez ficando maior, o batidão migrou da favela para grandes festivais e casas noturnas badaladas em todo o Brasil. É o exemplo de clubes, em São Paulo, como o Armazém da Vila e o Lov.e, que criaram noites especiais para os bailes.
Em Belo Horizonte a cena só cresce nos clubes Joy Lounge Club e Flor&Cultura, e assim também é no Sul e Nordeste com shows esporádicos que reúnem um grande público para ver figuras como o Mc Marcinho, Bola de Fogo, Bonde do Tigrão, Mc Serginho, Catraca, Gaiola das Popozudas, Castelo das Pedras, entre outros.
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