sexta-feira, 27.11


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29/11 - Domingo
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18/12 - Sexta-feira
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 SÉRIE MITOS - MILTON NASCIMENTO
por Luiz Guilherme Moffa

Apesar de ter nascido em 26 de outubro de 1942 no do Rio de Janeiro, Milton Nascimento é Minas Gerais. A começar pela coincidência (ou não) de que as primeiras sílabas de seu nome (Mi) e do sobrenome (Nas), formam o nome do Estado pelo qual foi adotado ainda em seus primeiros meses de vida.

Milton passou a infância na cidade de Três Pontas (MG) – para onde foi levado após ser adotado por uma família, pouco tempo depois de seu nascimento em Niterói (RJ).

De Três Pontas ele absorveu as imagens e os sons que mais tarde iriam inspirar algumas de suas principais canções. Já nas suas primeiras músicas de sucesso, como Morro Velho(que alcançou a sétima colocação no II Festival Internacional da Canção, em 1967) Milton faz referência à Minas da época do escravismo.

Assim como Noel Rosa cantava o centro do Rio de Janeiro da década de 30 em suas letras, Adoniran Barbosa cantava o cenário paulistano e Dorival Caymmi exaltava a Bahia pré-capitalista em seus versos musicais, Milton Nascimento canta Minas Gerais, estado pelo qual foi adotado e se tornou um dos filhos mais nobres.

O disco Geraes, lançado em 1976, é o exemplo perfeito desse flerte com a cultura e o cenário mineiros. O álbum conta com canções que fazem referência à suas memórias, desde os tempos da infância.

A primeira música do disco tem o sugestivo título de Fazenda. Na letra, imagens de uma infância repleta de características do universo rural. Já nas primeiras estrofes da letra da canção, esse universo é descrito: "água de beber / bica no quintal", e logo depois o elemento da infância: "sede de viver tudo / e o esquecer era tão normal / que o tempo parava".

Na segunda parte, as lembranças da Minas rural aparecem novamente, através de elementos próprios do interior do Brasil: "tinha sabiá / tinha laranjeira / tinha manga rosa / tinha o sol da manhã". No final da letra, o momento da despedida desse cenário e de encarar as outras realidades do mundo, mas sem jamais se esquecer desse universo de origem: "e na despedida / tios na varanda / jipe na estrada / e o coração lá". Seu corpo físico vai percorrer e conquistar o mundo, mas a alma ("o coração lá") permanece em solo mineiro.

Já na adolescência, Milton se destacava como um crooner (intérprete de músicas alheias) refinado. Cantava em bailes e boates um repertório que transitava por estilos como o bolero, rumba, samba e clássicos da música negra norte-americana.

Mas como aquele cantor de bailes se tornou um dos principais nomes da música mundial? A cantora Elis Regina teve um papel fundamental para que Milton fosse reconhecido pelo grande público. Ao escutá-lo cantar pela primeira vez, Elis ficou comovida com a sensibilidade e melancolia que ele passava enquanto cantava. A partir desse dia, a cantora se tornou uma das maiores intérpretes de parceiras de ‘Bituca’ (apelido de Milton).

Além de Elis, Milton sempre foi cercado por músicos excepcionais. O pianista e arranjador Wagner Tiso, o baterista Robertinho Silva, Fernando Brandt, Lô Borges, Naná Vasconcelos, Baden Powell, Gilberto Gil, o saxofonista norte-americano Wayne Shorter, entre outras grandes feras do Brasil e do mundo, formaram a fina seleção de músicos que admiravam e tocaram ao lado de Bituca.

Ainda no início de sua carreira, foi descoberto por grandes nomes da música norte-americana. Seu segundo disco – Courage, de 1968 – foi produzido em território americano e chamou atenção de mestres como o pianista Herbie Hancock, Paul Simon, Pat Matheny, entre muitos outros estrangeiros que passaram a admirar o talento daquele mineirinho tímido e humilde.

Ao lado dos parceiros Fernando Brandt, Márcio e Lô Borges, Milton formou o Clube da Esquina, grupo que também contava com a participação de Toninnho Horta, Beto Guedes e Flávio Venturini. Gravaram duas pérolas da música popular brasileria: Clube da Esquina(em 1972) e Clube da Esquina 2(em 1978).

Sua fértil carreira foi marcada por verdadeiros hinos. Coração de Estudante, Milagre dos Peixes, Maria Maria, Calix Bento, Canção da América, entre muitas outras de suas canções, emocionam até o mais frio dos ouvintes.

Em 1997, Milton descobriu que sofria de um tipo raro de diabetes, o que deixou sua saúde fragilizada e fez com que perdesse muito peso. Apesar dessas dificuldades, lançou o discoNascimento, que lhe rendeu o prêmio Grammy na categoria world music.

A imagem descrita pela letra da música Para Lenon e MacCartney, escrita por Lô Borges, ilustra muito bem a trajetória de Milton Nascimento: “Eu sou da América do Sul / Eu sei vocês não vão saber / Mas agora sou cowboy / Sou do ouro / Eu sou de vocês / Sou do mundo / Sou Minas Gerais”.

Sua competência e singularidade como cantor é tão grande quanto sua virtuose como compositor. Milton consegue ser, ao mesmo tempo, sofisticado e popular. Isso fez com que ele fosse reconhecido como um dos maiores nomes da música mundial.

Agora que você conhece um pouco mais da história do grande Milton Nascimento, confira toda a genialidade de sua discografia. Depois leia no PDB, como a galera respondeu a pergunta: “Se você pudesse ir a um show de algum ídolo que já morreu, qual seria?


>> DISCOGRAFIA BÁSICA
>> PDB: "SE VOCÊ PUDESSE ASSISTIR UM SHOW DE UM ARTISTA QUE JÁ MORREU, QUEM VOCÊ ESCOLHERIA?"