O relógio no estilo gótico catalão, sem ponteiros, marca a hora. A igreja que faz fundo ao palco principal do
Sonár 2009 reluz a atemporalidade do maior
festival de música eletrônica da Espanha.
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Veja o vídeo oficial do Sonár 2009
São três dias de
balada, de dia e de noite, sem fim, em uma catarse de pessoas que não parecem preocupadas com o dia de amanhã. Nem de longe a festa esvazia as praias de Barceloneta ou tira a multidão que vem ao verão curtir as ramblas do centro antigo.
Barcelona continua igual, insuportavelmente turística. Mas, ao chegar à estação Universidad da linha vermelha do metrô, um som faz pensar diferente.
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O batidão domina as ruelas com os varais cheios de roupas. Parecia que seria uma grande furada, afinal, era apenas uma plena quinta feira. E à tarde, quando, em tese, todos deveriam estar trabalhando. Nas paredes dos tapumes, lambe-lambes anunciam estrelas que vão de
Carl Cox a Luciano tocando em outros clubs do municipio nos próximos dias. Os paquistaneses fazem a festa vendendo cerveja contrabandeada. Ainda havia ingressos e a curtição estava apenas começando.
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Gostou de Barcelona? Veja as dicas no nosso Especial sobre a cidade
O evento rolou, no primeiro dia, dentro do museu de arte contemporânea da cidade, um dos mais conceituados do mundo. Uma grama sintetica dava um contorno de parque que reunia gente de todos os tipos. Seria um sonho? Para começar, vale lembrar que Barcelona, mesmo com toda a fama de capital freak, não tem uma balada que vá além das cinco da manhã numa quarta feira. Simplesmente não tem.
Sim, há muitos avanços que os festivais brasileiros poderiam adotar. Com um público mais seleto, sem grandes multidões, a bebida pode ser mais bem servida - e óbvio que se vendem destilados - e os shows lembram mais uma rave private do que um Skol Beats.
Mas os europeus passam vergonha. Os fritos foram globalizados. Esqueça aquela cena de um cyber mano derretendo com allstar laranja na caixa de som. Alemãs, suecas, todas lindas e charmosas, passavam carões incríveis. Dançavam em vestidos pretos, de meia negra, suando e rebolando como demônias.
As atrações agradaram. O
DJ The Wizard foi o primeiro a tocar a lenha no público. Mas nem sempre mandou pesado. Alternou sons que iam do jazz ao funk, sempre caindo num electro.
Luomo, a próxima atração, descontraiu por trazer um vocalista que mais parecia um gogo boy. Enquanto um da dupla mandava nos toca discos, o outro dançava psicoticamente e cantava em tons masculinos - e feminimos.
The Sight Below foi uma vergonha. Sabe aqueles caras que parecem brochados e nunca começam a realmente tocar? Então, era isso, apesar de trazerem guitarras e um estilo que lembrava Rock Stars.
Amanhã, sigo nas outras news.
*Repórter especial do !ObaOba direto do Sonár 2009
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