Mesmo depois da tempestade que caiu sobre Campinas, o público não desistiu de sair para ver ao vivo e a cores o set do canadense Richie Hawtin. Como era de se esperar, o loiro não deixou ninguém na mão. O início da noite foi tímido, com as pessoas chegando aos poucos, depois de esperar por uma hora o pé d´água parar. A casa abriu às 23h, mas o povo começou a chegar mesmo só depois das 0h30. Nessa hora, quem tomava conta das picapes era a dona da casa, Eli Iwasa sempre com seu set marcado por batidas fortes e cheias de ritmo. Nessa hora, o público começou a arriscar os primeiros passos, mesmo porque é impossível ficar parado com a Eli tomando conta da cabine. Ela é pequena de estatura, mas vira uma gigante quando está com os fones no ouvido e mãos no mixer.
Richie chegou às 2h com uma trupe que era formada por três pessoas - entre elas, sua empresária, que desembarcou pela primeira vez em terras tupiniquins. O assistente Nima era o encarregado de montar toda a parafernália eletrônica do mestre da franja loira. Todo o processo demorou cerca de meia hora para ficar pronto. Enquanto Nima se mexia de um lado para outro montando o equipamento, Richie passeava anônimo no camarote, escorado na parede, com um drink na mão, escondido pela penumbra.
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Mas não demorou muito para que alguns fãs notassem sua presença ali. Foram logo puxando papo e pedindo para tirar fotos como lembrança de uma noite que seria inesquecível. Um pouco depois das 2h30, os gritos anunciavam que o dono do selo Minus tinha começado seu set. Richie soltou de primeira uma música com batidas sonoramente brasileiras, que lembravam batuques de samba. O povo foi à loucura!
Durante as duas horas em que ele tomou conta da cabine, vários gritos foram ouvidos, muitos sorrisos estampados podiam ser vistos. Mesmo quando o DJ deu uma sambada (sim, até o rei pode sambar!) ninguém pareceu se importar: ou deixaram pra lá ser o Richie ou simplesmente não notaram, tamanha a fascinação que ele exerce sobre as pessoas.
E não é para menos. Observar um DJ do calibre de Richie tocar é como assistir a uma orquestra sinfônica. Munido de dois laptops, um mixer Allen & Heath e um controller (todo esse equipamento ele mesmo trouxe) pode parecer impossível para um ser humano normal controlar tudo isso ao mesmo tempo. Mas ele faz tudo com tanta naturalidade que, para quem vê, pode parecer muito simples. Não é: tudo isso foi conseguido com anos e anos de experiência e, quando se vê Hawtin tocar, fica nítido o porquê de ele ser um dos melhores e mais respeitados DJs do mundo.
Ele terminou seu set e, enquanto esperava o equipamento ser desmontado e guardado, atendeu aos pedidos dos fãs, ávidos por mais alguns momentos com o homem que fez todo mundo esquecer que era quinta-feira. E depois se foi, mas não da mesma maneira que chegou porque era impossível a qualquer sombra apagar seu brilho após uma noite tão memorável.