A cena musical de Porto Alegre está sempre bombando quando o quesito é rock. Na cena indie então, nem se fala. Mas como você deve estar cansado de ouvir falar de bandas como Cachorro Grande e Fresno, que já até deixaram de ser indie no sentido mais literal da palavra, o !ObaOba vai dar uma renovada e te mostrar uma banda que só foi realmente se destacar na cena quando se apresentou no começo deste ano no Coca-Cola Parc: o
Sargento Malagueta.
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Fredi Bessa (Guitarra/voz), Diogo Tobolski (Baixo/vocais) e Leandro Benites (Bateria/vocais) agitam São Leopoldo (cidade próxima a Porto Alegre) e a capital desde o começo de 2008. Com um EP lançado e muita vontade de fazer a cena acontecer, eles se unem a outras bandas e tocam por lá.
E sonham alto: querem gravar CD, tocar em outras cidades e viver de música. Quer saber mais sobre eles? Então confira a entrevista que Fredi Bessa concedeu ao !ObaOba.
!ObaOba: Como a banda se formou?
Eu e o Leandro (Benites) nos conhecemos desde crianças. Crescemos juntos, aprendemos a gostar de música juntos e fomos evoluindo musicalmente. A gente conheceu o Diogo (Tobolski) por bares e estúdios e decidimos chamar ele pra tocar na banda. No primeiro ensaio, já rolou uma integração legal e daí surgiu o Sargento Malagueta.
!ObaOba: Esse nome veio de onde?
O nome é uma sacada do título do álbum "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", dos Beatles. O "Sgt. Peppers" é o Sargento Malagueta. A relação é legal porque esse CD é muito bom e, além de tudo, (o nome) soa bem.
!ObaOba: Vocês têm alguma outra ligação com os Beatles?
Não. apesar de os Beatles serem bons, nossas influências são outras, mais ligadas a estilos que fogem do rock. Nosso som tem um pé no jazz, está mais ligado ao improviso, principalmente nos shows. Além disso, a batida é meio groove, vem do funk e do soul. No rock, o que mais nos influencia são os nomes que se relacionam com o jazz, como Jimi Hendrix e Jeff Beck.
!ObaOba: Vocês já têm um EP lançado. Como rolou a gravação dele?
Logo depois que formamos a banda, ensaiamos, fizemos algumas apresentações e já gravamos as quatro músicas do EP. Ele foi feito por nossa conta, totalmente independente, e a gente só lançou agora no mês de junho, depois que minha esposa (que é jornalista e faz o papel de assessora da banda) contatou jornalistas e divulgou o trabalho.
!ObaOba: E como ele é vendido?
A venda acontece principalmente nos shows, mas também pelo
email. Por show, a galera compra em média de cinco a dez CDs.
!ObaOba: Depois do EP, alguma expectativa de lançar um CD?
O projeto é lançar o disco oficial no primeiro semestre de 2010. Serão doze faixas autorais, com uma pegada mais dançante. Estamos em negociação com um selo pequeno independente da cidade para, quem sabe, lançar com ele. Mas por enquanto nada está certo.
!ObaOba: E pode rolar um patrocínio para a gravação do CD?
É, nos inscrevemos num projeto para a gravação do nosso primeiro CD no Fumproarte que é um Fundo de apoio à cultura da Prefeitura de Porto Alegre. O resultado deve sair em novembro, mas estamos bem esperançosos.
!ObaOba: E a cena de rock independente em Porto Alegre, como anda?
Isso é importante. O público tradicional do rock, que foi formado desde os anos 80, ficou saturado com a quantidade de bandas então, no último ano, começou a rolar uma febre de DJs. Hoje em dia, é difícil levar público pros bares. Os roqueiros têm o ego meio inflado e eles tiveram que deixar isso de lado, se juntar e produzir coletivamente pra agitar a cena.
!ObaOba: Vocês conhecem muitas bandas na cena daí? São amigos, fazem shows juntos, vão ver os shows dos outros?
Sempre que é possível vamos prestigiar nossos colegas. Posso citar algumas bandas parceiras:
Valentinos,
Severo em Marcha,
Identidade,
Lollypops,
O Carabala,
Gulivers,
Oh!...
!ObaOba: Vocês tocaram no Coca-Cola PARC nesse ano. Como foi a seleção?
Pelo site do festival, mandamos algumas músicas e suas respectivas letras. Algumas semanas depois alguém da produção do projeto nos ligou e disse que havíamos sido selecionados.
!ObaOba: E o show, como foi?
Foi bem legal. A estrutura era boa e ajudou bastante na divulgação da banda. O público maior foi mesmo pra curtir os shows grandes, das bandas já conhecidas, mas teve uma galera que parou nos palcos menores pra ouvir as bandas novas tocarem.
!ObaOba: Vocês pretendem sair daí para divulgar seu trabalho pelo país?
Por enquanto estamos apenas focando nossa agenda aqui em Porto Alegre e no interior do estado. Depois do lançamento do CD mesmo, no ano que vem, a gente pensa em passar por São Paulo, Rio de Janeiro, e até Curitiba, que tem uma cena de rock bem legal, pra divulgar por lá.
!ObaOba: Vocês usam bastante a internet para divulgar o trabalho, como tem feito todo mundo na cena independente?
A gente tem que encarar a internet como mais uma ferramenta. Ela tem muita informação, existem diversas bandas... Se você vê nosso nome na internet e depois ouve na rádio, daí você lembra. Pra divulgar nosso som, a gente mexe com assessoria, coloca cartazes nas ruas, faz shows, vende CD. É importante intercalar as mídias, linkando uma com a outra.
!ObaOba: Alguma dica pras bandas que estão começando?
Dedicação, cabeça aberta, simpatia, procurar levar as coisas sempre na boa. Só se estressar com o que vale a pena, o que no fim das contas é bem raro.
!ObaOba: Afinal, dá pra se bancar só fazendo música?
A gente procura se manter na linha musical. Além da banda, trabalhamos com produção cultural, em festivais, festas, shows etc. Tudo sempre ligado à música.