John Acquaviva nasceu numa cidade chamada London, em Ontário, Canadá. Apesar de ter começado a carreira lá pelos distantes anos 70, ele só foi ser residente de um club em 1982. De lá para o reconhecimento mundial foi um pulo. Em 1990 o DJ se juntou a Richie Hawtin para fundar o selo Plus 8 Records e sua carreira internacional decolou. Workaholic convicto, ele teve que se desdobrar para arranjar uma brecha na agenda e bater um papo com o !ObaOba. Mas, como ele adora o Brasil - já tocou no pedaço várias vezes inclusive -, ele fez esse "sacrifício" de muito bom grado. Com vocês, John Acquaviva.
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!ObaOba: Você toca como DJ há muito tempo e é reconhecido pelo mundo todo. O que você acha que é preciso para um DJ permanecer sempre no topo?
John Acquaviva: Essa é uma pergunta muito boa, mas difícil. Coisas diferentes acontecem para pessoas diferentes. Mas eu acredito que, para permanecer no topo, você tem que entender e ter a filosofia sobre a dance music e sua cultura. Para uma grande festa você precisa ter um equilíbrio entre um grande club, um grande público (coisa que o Brasil tem, com certeza!) e um grande DJ. Um grande DJ não é só o cara que toca música legal. O que faz o grande DJs é hábito de procurar, ouvir e achar musica. Esse é o meu trabalho: selecionar e tocar musica para as pessoas. Nós somos uma comunidade e, se não compreendermos isso, somos egoístas e chatos. Eu tento ter a mesma paixão de quando eu era mais novo e sonhava em tocar para 50 ou 5 mil pessoas e fazê-las felizes. E, para fazê-las felizes, eu tinha que fazer música para elas. Se não fosse minha, eu teria que ser o primeiro a descobrir a música de outras pessoas e tocá-la.
!ObaOba: Quão difícil é administrar sua carreira, o Beatport, viagens e sua vida pessoal?
John Acquaviva: Eu não durmo, simples assim (risos). E eu estou sempre online tentando responder todos os emails, coisa que eu tenho que usar... Mas nunca há um equilíbrio. Estou sempre ocupado demais. Eu sou sortudo por ser ocupado, então não reclamo.
!ObaOba: Há não muito tempo, havia apenas techno, house e trance. Agora são
"zilhões" de vertentes da música eletrônica. Você acha que é realmente necessário ter tantas vertentes?
John Acquaviva: Eu sou velho (risos). Quando eu comecei, tinha apenas disco. Depois, meio que dividiu para a house e depois techno. Para mim, é tudo dance music. É por isso que, quando as pessoas perguntam que estilo eu toco, eu digo que é apenas música. Quatro anos atrás começaram a chamar a música que eu fazia de electro house. Isso passou e mudou muito com o passar dos anos. Por não me rotular e ter estilo próprio, eu consigo me manter mais tempo como artista. Eu já passei por isso antes e comecei algumas tendências, e vou ficar depois que elas se forem. Independentemente das tendências, o importante é conseguir animar uma festa e fazer as pessoas felizes.
!ObaOba: Todo mundo sabe que você é um workaholic convicto. Você pensa em parar algum dia ou isso é totalmente impossível para você?
John Acquaviva: Boa pergunta. Eu vou ter que parar. Eu finalmente estou começando a perder drasticamente minha audição. Então, uma vida de música está agora arriscada a uma vida de silêncio.
!ObaOba: Como é seu processo de produção? Você é do tipo de DJ que deixa as coisas fluírem ou você é mais perfeccionista?
John Acquaviva: Estou mais tranqüilo ultimamente. Eu deixo fluir. Às vezes, vou para o estúdio totalmente inspirado por uma faixa, som ou estilo e sigo essa influência. Outras vezes, preciso explorar algumas ideias meio loucas ou um equipamento ou som totalmente novo.
!ObaOba: Tem um monte de DJs surgindo e tocando todos os anos. Qual deles você acha que pode vir a ser um dos bons?
John Acquaviva: Eu acho que as pessoas já sabem disso, mas eu sou um grande fã do
Oliver Giacomotto. Como DJ e como produtor.
!ObaOba: Como é a cena eletrônica na sua cidade? E os clubs? Alguma dica para nós?
John Acquaviva: O Canadá é um grande país, mas Toronto e Montreal são as únicas cidades que têm uma vida noturna incrível. Todo mundo que vai para lá fala sobre os clubs e o público. Guvenment é ainda um dos maiores clubs, provavelmente entre os cinco ou dez melhores do mundo. O Circa, em Toronto, também faz um grande sucesso.
!ObaOba: O que é total felicidade para você?
John Acquaviva: Maior felicidade? Tudo diferente! Como as comidas: Você não pode comer apenas uma coisa, pode (risos)? Por isso, eu amo viajar. A mudança de cenário é incrível. As minhas favoritas ainda são as cidades com raízes latinas. Então América do Sul, com o Brasil liderando.
!ObaOba: O que você gostaria de dizer aos seus fãs brasilieros que você nunca teve a oportunidade de falar antes?
John Acquaviva: Eu tenho que repetir para mim: eu amo o Brasil, o sentimento é mútuo. Como eu disse, eu amo o mundo, mas eu tenho esse sentimento especial pelas cidades e culturas latinas. Brasil é grande para mim e eu mal posso esperara para voltar ao país.