Paulistana de nascença e cearense de coração,
Cris Aflalo cresceu ouvindo música. Isso porque ela é neta do compositor também cearense Xerêm. Caminho mais do que natural, foi com a música dele que Cris estreou em disco. Seu primeiro álbum,
Só Xerêm (Tratore, 2004), traz um repertório só com composições do homem. "A música de meu avô foi aparecendo cada vez mais na minha vida", conta a cantora de 33 anos. "Mas, na verdade, o que me levou (a gravar o disco) foi o coração mesmo".
Se Xerém foi a inauguração, o recém-lançado
Quase Tudo Dá - produzido por ela em parceria com Luiz Waack e lançado pela Tratore - também tem seu "quê" de estreia. Em meio a releituras de Caetano, Arnaldo Antunes e Carlos Careqa, aparecem pela primeira vez composições próprias. Não que a moça não escrevesse antes. É que "só agora estou me aceitando como compositora", diz.
Pode ser que você ainda não tenha escutado Cris Aflalo, mas, além de pedigree, a moça já tem história. Em 2005, foi uma das cinco finalistas da 8ª edição do Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Vocal. Já cantou ao lado de gente como Oswaldinho do Acordeon, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso e Carlos Lyra. E, desde 1998, integra o projeto
"Por Quê?" de música infantil, ao lado de Luiz Waack e Rita Rameh.
Agora, com disco novo na área, talento e disposição de sobra, a cantora está pronta para despontar na música brasileira. E - por que não? - internacional: "(Quero) mandar para fora ele (Quase Tudo Dá) e o Só Xerêm". Se projeto pouco é bobagem, Cris Aflalo planeja uma vasta agenda de shows e ainda tem uma carta na manga: "Já estou com um terceiro disco na cabeça", revela, antes de completar descompromissadamente: "Mas isso é pra depois".
Se esperar não é seu forte, confira o bate-papo que o !ObaOba teve com
Cris Aflalo, enquanto ouve suas músicas no
Myspace.
!ObaOba: Como começou seu envolvimento com a música?
Cris Aflalo: Eu cresci ouvindo música. Na minha casa, rolava música o tempo todo, de manhã até a noite... Desde clássica e jazz a música brasileira. Eu falava para minha mãe que queria ser bailarina, atriz ou cantora. Com 15 anos, eu cantei com uns repentistas, me apaixonei e voltei pra casa com a certeza de que queria ser cantora. Com 17 para 18 anos já cantava na noite e fingia ser maior de idade para poder tocar nos bares.
!ObaOba: Quem são os artistas que te influenciam e como se deu sua formação musical?
Cris Aflalo: Sou influenciada por muita gente, mas só para citar três: Tom Jobim, Egberto Gismonte e Sarah Vaughan. A gente é uma mistura, um caldeirão de influências.
Eu sempre fiz aula de canto e violão... Cheguei a fazer meia faculdade de música, mas minha praia é a prática mesmo; sou bastante auto-didata.
!ObaOba: No seu álbum de estreia - Só Xerêm - você só gravou composições do seu avô, de onde surgiu a ideia?
Cris Aflalo: Costumo dizer que foram coincidências divinas: o Benedito Ruy Barbosa me convidou para gravar "Mamãe Baiana" (de Xerêm) para a trilha da novela Terra Nostra. Fiz várias participações no programa da Inezita Barroso, fui fazendo vários shows, a obra do meu avô foi aparecendo cada vez mais na minha vida e, depois de muito pensar e conversar com o Luiz Waack, resolvi gravar. Mas, na verdade, o que me levou foi o coração mesmo. Assim como muitos outros, meu avô foi um grande compositor que ficou escondido.
!ObaOba: Você já trabalha há 12 anos com o Luiz Waack. Como é a relação com ele?
Cris Aflalo: É muita comunhão! Eu já trabalho com o Luiz há muito tempo e a gente se entende bastante, gosta das mesmas coisas. Quando eu vejo, já foi. A minha voz é o violão dele e o violão dele é a minha voz.
!ObaOba: Quase Tudo Dá é sua estreia como compositora. Como é seu processo de composição?
Cris Aflalo: Eu componho há muito tempo, mas só agora estou me aceitando como compositora. A música para mim é muito intuitiva, é algo orgânico e quando vejo já estou fazendo, seja letra ou música.
!ObaOba: Ainda falando do Quase Tudo Dá, o que você buscou colocar nesse trabalho?
Cris Aflalo: Primeiro, não teria feito se não fosse o Só Xerêm! Pelo o que o meu avô me trouxe, pela experiência de estúdio, de palco... Nesse disco, trago uma Cris mais moderna, um pouco do regionalismo continua, mas dessa vez com uma linguagem contemporânea, misturando todas as minhas influências.
!ObaOba: Para quem ainda não ouviu, o que esperar do disco? Tem um estilo predominante?
Cris Aflalo: O
Quase tudo Dá é um disco de música brasileira! Eu vejo um pouco de baião, não tem samba, mas é, além de um disco de música brasileira, um disco de misturas.
!ObaOba: Você se sente mais madura hoje?
Cris Aflalo: Independente do tempo, naturalmente a vida faz a gente mudar. Acho que meu canto melhorou, ficou mais profundo. A gente amadurece e está em constante evolução.
!ObaOba: Você tem um segundo MySpace com outros tipos de música e outras parcerias. Você pensa em fazer algum trabalho diferente do que faz hoje?
Cris Aflalo: No meu outro MySpace tem o trabalho de amigos em que eu apenas participo emprestando minha voz. Eu já tenho um trabalho e uma personalidade. Dificilmente vou colocar música eletrônica em um disco meu.
!ObaOba: Com novo disco na mão, quais os próximos passos da carreira?
Cris Aflalo: Fazer muitos shows com esse disco, mandar para fora ele e o Só Xerêm também (que a gente ainda não conseguiu). E já estou com um terceiro disco na cabeça, mas isso é pra depois.
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