OTEP - Santana Hall/SP
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Apresentação curta e set list incompleto deixaram a maioria dos fãs brasileiros insatisfeitos.
Por Mayara De Bona
Faltando apenas duas horas e meia para a apresentação do OTEP, em São Paulo, a fila em frente ao Santana Hall já dobrava a esquina e quase não se via seu fim. Muitas pessoas estavam ali desde cedo, aguardando o show da banda de new metal da Califórnia.
Mais ou menos às 18h, uma van misteriosa passou devagar, contornando a fila, e pouco tempo depois a janela se abriu. Era Shamaya, a vocalista do OTEP, acenando e segurando uma câmera, filmando o público que aguardava o show. A cena fez com que muitos fãs ficassem mais empolgados, alguns chegaram a correr atrás do veículo.
Às 19h30 os portões finalmente se abriram e todos começaram a disputar os melhores lugares da pista. Consegui ficar encostada no palco, que por sinal era alto, com mais de 1,5 metro. Mais meia hora aguardando e pontualmente às 20h as cortinas se abriram: os integrantes da banda já estavam posicionados para a entrada da vocalista.
Abriram o show com "Battle Ready", canção do álbum Sevas Tra (2002). Alguns problemas técnicos atrapalharam a voz de Shamaya, que quase não podia se ouvir. Mesmo assim, a plateia aglomerada na frente do palco gritava pelo nome da vocalista e outros já tentavam subir no palco.
A música "My Confession", também do disco Sevas Tra e a terceira do set list, foi cantada em coro pelo público. A banda continuou tocando suas canções experimentais, mais conhecidas como "brisas ou viagens". Depois seguiu com as músicas "Confrotation", "Ghostflowers" e "Crooked Spoons", todas do último trabalho The Ascension, lançado em 2007.
No meio do show a plateia começou a gritar: "´‘Warhead´! ´Warhead´!’", uma das músicas de maior sucesso do grupo e que faz parte do CD House Of Secrets (2005). Mesmo o público pedindo, a canção não foi tocada naquela noite, junto com outras músicas importantes como "Filtthee", "TRIC", "Buried Alive" e muitas outras.
O ponto forte da apresentação foi quando Shamaya falou de sua admiração pela banda Nirvana e pelo vocalista Kurt Cobain. Então o grupo tocou sua versão de "Breed" - música do grupo grunge – e que todo mundo recordou e cantou como se fosse um sucesso recente.
Após mais algumas músicas, Shamaya agradeceu o público e se retirou do palco junto com o restante da banda. Porém as cortinas não se fecharam e logo todos se uniram para gritar em coro: "OTEP! OTEP!". O OTEP voltou e tocou a destruidora "Blood Pigs" (Sevas Tra), em uma despedida digna para um show que teve poucas canções relevantes. A apresentação terminou às 21h, totalizando apenas uma hora de espetáculo.
A vocalista Shamaya foi um show à parte, sua performance cheia de caras e bocas e sua simpatia valeram muito mais que o set list da banda. Ela vestiu a bandana de um fã, usou uma tiara de diabinho pisca pisca, destruiu o pedestal, derrubou algumas partes da bateria e colocou um acessório bem exótico no rosto (parecia uma meia rasgada) no final do show.
Ela também disse que o show de São Paulo foi o seu preferido, mais do que a apresentação no Rio de Janeiro ou qualquer outra nos Estados Unidos. Mas há quem diga que ela foi irônica...
Outros comentários diziam que a vocalista estava com problemas nas cordas vocais. Realmente, a cada música Shamaya parava e ia até o fundo do palco para beber água ou talvez um remédio.
O baixista Evil J. também foi super atencioso e sempre interagiu bastante com a plateia.
Toda a admiração pelo público brasileiro não se resumiu apenas à apresentação. Depois que o show acabou, a banda promoveu uma sessão de autógrafos, mas que infelizmente foi privilegiada pelos poucos que conseguiram entrar.
Sem motivo aparente, após quase 20 minutos de espera e uma fila enorme, os organizadores comunicaram às pessoas que ainda aguardavam para os autógrafos que a sessão havia se encerrado.
A maioria acabou saindo desapontado e sentindo aquele vazio, de que faltou alguma coisa. Faltou um pouco de atenção com os fãs brasileiros, na escolha do set list e na organização da sessão de autógrafos, já que esta foi a primeira vez que a banda passou pelo país.
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