The Crying Light - Antony and the Johnsons
|
Por Andréia Regeni
Com a ajuda do maestro e compositor Nico Muhly, Antony deixa o drama um pouco mais de lado e faz um trabalho mais límpido, mesmo que com lágrimas.
O álbum antes mesmo de ser ouvido já despertou curiosidade: depois de toda melancolia de seu último disco, I’m Bird Now (2005), com a atriz transexual Candy Darling na capa (deitada na mesma cama onde faleceu meses depois), The Crying Light apresenta o artista japonês Kazuo Ohno, ícone do Butô - expressão artística em que a morte do corpo é sua base e as coreografias são feitas em silêncio.
Na primeira faixa, “Her Eyes Are Underneath the Ground”, Antony lamenta a morte, e como ele próprio chegou a dizer, fala sobre seus pais (no caso dessa faixa, de sua mãe). Em “Aeon”, única faixa em que a guitarra (infelizmente) aparece, a letra discorre sobre seus relacionamentos: Hold that man/In your tender clutch/Hold that man I love so much’’ (Agarre aquele homem/Num abraço carinhoso/Agarre aquele homem que eu amo tanto). Em “Kiss My Name”, uma das mais animadas do disco, em que a bateria dá um tom jazzístico a música, que remete a sua infância I’m only a child/Born upon a grave/Dancing through the stationsCalling out my name (Eu sou apenas uma criança /Nascido em um túmulo /Dançando através das estações /Chamando o meu nome).
A faixa homônima ao álbum vem acompanhada de um violão clássico com dedilhados impecáveis, sem exagero, o auge desse instrumento diante de todas as canções já gravadas do grupo. Antony quase abusa do falsete, uma das canções mais bem produzidas, que de tanta técnica deixa perder um pouco da emoção.
Em “One Dove”, o piano chora enquanto Antony canta sobre o encontro da paz desejada: “One dove/To bring me some peace/In starlight you came from the other side/To offer me mercy” (Uma pomba/Para me trazer um pouco de paz/Sob a luz das estrelas você veio do outro lado/Para me dar um pouco de paz).
Na sufocante “Another World” (primeiro single do disco, lançado em EP no ano passado), Antony parece ter acabado de sobreviver por não ter se afogado num mar de lágrimas. Mas a calmaria do piano não nos deixa entrar em desespero quando o músico canta que precisa de um lugar onde haja paz I need another place/ Will there be peace/I need another world/This one´s nearly gone.
Depois de tomar fôlego chega o momento de glória em “Daylight and the Sun”, quando Antony volta um pouco ao passado com aquela voz a la Billie Holiday. Ele sustenta a música com o piano que parece falar mais alto que tudo, enquanto os violinos de Rob Moose ganham o brilho merecido que deixou a desejar no resto do disco.
Esse trabalho mostrou o lado mais clássico do grupo, o disco não fecha o círculo com notas previsíveis como os outros, deixando o pop um pouco mais de lado. Antony descobriu e nos contou que não é preciso tanto drama para emocionar.
|
|
|
publicidade: publicidade:
|
|