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Rio: ícone do rock nacional
Bandas e grandes festivais aconteceram na cidade maravilhosa
Apesar de caracterizado como berço do samba, o Rio de Janeiro também tem vocação roqueira. Durante a década de 80, verdadeiras lendas foram criadas na cidade e, até hoje são referências na história do rock nacional.
Como acontecia em todo o Brasil, o Rio estava fora do alvo de investimentos das grandes gravadoras e eram raros os lançamentos de bandas nessa época. No início de 1982, no entanto, um projeto de verão tomou conta da praia do Arpoador.
O jeito largadão e despretensioso do local atraía muitos jovens ligados às artes plásticas, cênicas e musicais. Diversas atividades eram realizadas no estabelecimento, que ficou conhecido como Circo Voador (foto), por ser montado com uma lona colorida.
O palco do Circo revelou nomes como Blitz (foto), Paralamas, Lulu Santos, Lobão, Barão Vermelho e Kid Abelha, em um local onde o sócio era nada mais, nada menos que o cantor Tim Maia. A casa tornou-se uma espécie de imã à cena independente carioca.
Assim como o Circo Voador, a rádio Fluminense FM (foto), conhecida como a Maldita, é essencial para a história do rock nacional. Ela nasceu em 1º de março de 1982, e tinha uma programação totalmente voltada ao gênero musical.
A rádio se diferenciava totalmente das outras emissoras, não só pelo fato de tocar apenas rock, mas também por ter uma linguagem radiofônica dedicada ao público admirador de guitarras com mentalidade inovadoras.
Foi na Fluminense FM que apareceu a chamada fita-demo. A rádio abria um espaço bastante importante às bandas novas e, graças a esse projeto, hoje muitos grupos conseguiram se firmar no mercado brasileiro.
Esses sinais apontavam o surgimento de um novo mercado consumidor no Brasil, e os promotores de shows começaram a se aventurar de maneira tímida na América Latina.
A consolidação só viria em 1985, com um projeto do empresário Roberto Medina.
Contrariando as incertezas que ainda pairavam sobre o mercado roqueiro, Medina iniciou a construção de um espaço de 250 mil m² na Barra da Tijuca, que iria abrigar o que ele denominou "o maior festival de rock do mundo". No local, que ficou conhecido como a Cidade do Rock, foi erguido o maior palco do planeta, além de restaurantes e dois shoppings com 50 lojas. Nascia assim o Rock in Rio (foto).
De fato, todos os olhos estavam voltados ao Rio de Janeiro no mês de janeiro de 1985. Indo de encontro as previsões pessimistas, grandes astros internacionais tocaram para uma multidão em pleno verão carioca, durante 10 dias.
Nomes como Queen, AC/DC, Ozzy Osbourne, Iron Maiden (fotos), George Benson, James Taylor, Yes, Rod Stewart e B'52s dividiram o palco com artistas brasileiros emergentes, como Barão Vermelho, Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens e Paralamas do Sucesso (foto), além de Rita Lee, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Elba Ramalho e Gilberto Gil.


Passaram pela Cidade do Rock aproximadamente 1,380 milhão pessoas, o equivalente a cinco vezes o número de pessoas que se aventuraram em Woodstock (1969), considerado um dos principais festivais de rock da história. O mega-evento, enfim, colocou o Brasil de vez na rota dos shows internacionais.
Em 1991, o Maracanã abrigou a segunda edição do Rock in Rio, que contou com uma estrutura maior e obteve grande repercussão. O festival foi transmitido ao vivo para 55 países, num total de 580 milhões de espectadores. 700 mil pessoas marcaram presença nos nove dias de festival. No line-up, A-HA (foto), George Michael, Guns N' Roses, INXS, Santana, Faith No More (foto) e Prince fizeram apresentações ao lado de brasileiros como Lobão (foto), Capital Inicial, Gal Costa, Ed Motta e Titãs.

A partir daí, o Rio tornou-se destino obrigatório dos grandes shows. Por lá passaram Madonna (1993), Rolling Stones (1995) e U2 (1998). Quem também esteve em terras cariocas foi o ex-Beatle Paul McCartney (foto). Em sua primeira aparição na América Latina, no ano de 1990, ele lotou o estádio do Maracanã.
Em 2001 e com o slogan "Por um mundo melhor", Medina ressuscitou o Rock in Rio e o grande palco foi novamente erguido na Cidade do Rock. O evento durou sete dias e levou 1,235 milhão de pessoas para assistir aos shows de Iron Maiden, Guns N' Roses, Red Hot Chili Peppers (foto), R.E.M., Silverchair, Sheryl Crow, Oasis, Beck, Foo Fighters, James Taylor (foto), Neil Young, Barão Vermelho (foto), Sepultura, Cássia Eller e Ultraje a Rigor.

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