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Soninha Francine, vereadora de São Paulo pelo PT, ex VJ da MTV, comentarista da ESPN. Poucas pessoas representam tão bem os jovens como ela. E é por isso que a convidamos para estrear sua coluna no !ObaOba.
Quinzenalmente você vai poder conferir as novidades aqui, na Coluna da Soninha. Espere por muito comportamento, atitude, cidadania e atualidades! |
Entrando nos trilhos
No domingo à noite, abri meu e-mail e encontrei um convite da SMAD (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) para a inauguração de um Centro de Referência da Criança e do Adolescente (nossa, quantos nomes). Onde? Em São Miguel Paulista, zona leste (põe leste nisso) de São Paulo. Quando? Na segunda-feira, às onze da manhã. Como esse é um tema que me interessa (atendimento a crianças e adolescentes que se encontram em situação de abandono, conflitos familiares, violência, etc.), resolvi dar um pulo lá. Eu já tinha falado duas vezes com o Secretário sobre esse assunto – quando ele esteve em uma reunião da CPI do trabalho escravo e quando me recebeu em seu gabinete. Gostei do diagnóstico e dos planos que ele apresentou, e achei bom presenciar a implantação de uma etapa do seu projeto.
Eu moro na Pompéia, Zona Oeste de São Paulo. Dá pra ir pra São Miguel de Vespa, mas não vale a pena. Minha bicheira é boa para curtas distâncias; ela sofre demais em estradas ou avenidas de alta velocidade. De carro é péssimo – não suporto o trânsito, porque demora demais (e é muito irritante). Consultei um guia e descobri que de trem é moleza. Eu podia deixar a Vespa na estação Santa Cecília do metrô, onde sempre tem lugar para estacionar (o centro de São Paulo é tão lotado que até estacionar moto é difícil); pegar metrô até o Brás e lá pegar o trem. A linha pra São Miguel é “semi-expressa” – não porque seja super veloz (ao contrário, é lerdinha), mas porque tem poucas estações no trajeto (cinco).
Ir de trem tem outras vantagens. No trajeto, dá para meditar, ler, rascunhar um texto, e fazer algo que eu adoro: ficar olhando... As pessoas, as ruas. Quando se faz isso todo dia não tem tanta graça, mas para quem costuma andar sozinho por aí (isolado no seu carro, ou mesmo em uma moto, que dá uma visão melhor do mundo mas é eminentemente “individual”), é muito legal passar um tempo observando as pessoas. E lembrando como a maioria vive seus dias, chacoalhando horas no transporte coletivo...
O usuário do transporte público é sistematicamente mal tratado por aqui. Um dos motivos para isso, tenho certeza, é o fato de os responsáveis pela prestação desse serviço – os administradores públicos – não serem, eles mesmos, usuários. Se fossem, tenho certeza que seriam mais exigentes quanto à essa qualidade...
Vou dar alguns exemplos de como o passageiro é destratado. Chegando ao metrô Brás, não há informação sobre o horário do trem. Em outros países, painéis eletrônicos fazem até contagem regressiva... E os trens partem pontualmente às “9:07”, “10:13”... Não precisamos chegar a esse requinte, mas pelo menos poderíamos ter uma idéia se o trem vai partir em 5, 10 ou 30 minutos! Já no trem, uma surpresa: ninguém anuncia qual é a próxima estação ( o metrô, em comparação, tem sistema de alto-falante), e a plataforma da estação também não tem placas informando qual é ela. O passageiro tem de ficar esperto e não pode perder a conta, senão não vai saber onde está... (Claro que se pode perguntar a outro passageiro, mas a informação tinha de estar disponível!).
Os trens não têm lixeira. Se quando elas existem, as pessoas já não usam muito, imagine o que esperar quando não tem. Achar que elas vão guardar o lixo na bolsa ou no bolso é ser muito otimista. Eu vi uma menina jogando papel de bala pela janela (obedecendo à mãe!); mãe e filha teriam mais chances de serem "educadas" (nem sei por que as aspas) se tivesse um cestinho dentro do vagão.
De todo jeito, cheguei lá no horário esperado, e adorei a mudança na rotina. Na volta, acabei aceitando uma carona de carro -- muito confortável, coisa e tal, mas acho que na próxima oportunidade vou de trem outra vez. Com todos os problemas que tem, eu sinceramente recomendo.
Soninha Francine escreve para essa coluna quinzenalmente
Site Oficial: http://www.soninha.com.br
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