terça-feira, 24.11


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Marcelo Alvares é psicólogo formado pela USP e trabalha na área da dependência química. Iniciou sua carreira cuidando de dependentes de crack, cocaína, anfetaminas e principalmente, usuários de múltiplas drogas. Hoje atende pessoas com todos os tipos de dependência química. Mas seu olhar atento volta-se para as club drugs, que tem como ícone o êxtase.

Já passou pela UNIAD - UNIFESP, GREA - FMUSP e atualmente dedica-se ao atendimento de dependentes químicos no CAPS álcool e drogas de São Mateus e no seu consultório particular. Apaixonado por música, baladas, psicanálise, artes e pelo trabalho, se esforça para compreender o fenômeno das drogas na vida e abraçar todas as suas paixões ao mesmo tempo.

Longe da repressão ou da apologia, só quer trocar idéias, escutar, refletir e esclarecer mais sobre as drogas.
Mitos e verdades sobre a maconha



Muitas vezes converso com amigos, colegas de trabalho, baladeiros, usuários, pacientes, taxistas, cobradores de ônibus, porteiros, professores, atletas, camêlos etc.; e concluo que existem muitos mitos sobre a maconha. A mistura entre os fatos científicos, as conversas populares e as lendas geram uma certa confusão sobre alguns aspectos da erva. Então, aqui seguem alguns mitos e verdades sobre o tema. Bom uso!

Mito: A maconha pode deixar o usuário louco, isto é, psicótico ou esquizofrênico.
Verdade: Existem evidências suficientes de que a maconha possa produzir uma psicose aguda (desorganização mental grave) com os seguintes sintomas: confusão mental, perda da memória, delírio, alucinações, ansiedade, agitação. Este quadro estaria muito associado ao período de intoxicação. Fortes evidências sugerem que a maconha pode sim precipitar o aparecimento de um quadro psicótico, como a esquizofrenia em pessoas vulneráveis, isto é, com predisposição a apresentar tal quadro. Há também dados sugerindo que o uso de maconha exacerba os sintomas naquelas pessoas que já apresentam alguma doença mental, como a esquizofrenia ou depressão.

Mito: A maconha queima os neurônios.
Verdade: Não está provado que a maconha gere danos cerebrais irreversíveis em humanos. Porém, o seu uso crônico traz conseqüências mais sutis à atividade cerebral, como a diminuição nas habilidades mentais, especialmente na atenção e concentração e na capacidade de memória recente.

Mito: Fumar maconha durante a gravidez não é tão perigoso.
Verdade: Estudos sugerem que o uso da maconha durante a gravidez, principalmente no primeiro trimestre, gera, possivelmente, dificuldades de desenvolvimento fetal, e o nascimento de bebês com menor peso, pois a maconha estimula parto prematuro. Há algumas evidências de que a exposição do feto no útero à maconha aumente a possibilidade de defeitos no nascimento. Existem provas sugerindo que bebês expostos à maconha no útero, apresentam distúrbios de comportamento e desenvolvimento durante os primeiros meses depois do nascimento. E outros estudos mostram que estes efeitos nocivos podem aparecer mais tarde nas crianças, quando estas tiverem entre 4 e 12 anos. Portanto, é recomendável que mulheres grávidas ou com intuito de engravidar, evitem o uso da droga.

Mito: A maconha não gera dependência
Verdade: A maconha gera dependência sim. A maioria das pessoas que experimenta maconha não se torna um usuário regular, e destes, poucos se tornam dependentes. Um estudo recente nos Estados Unidos mostrou que 10% dos que experimentam maconha se tornam dependentes, 15% dos que experimentam álcool se tornam dependentes e 17% dos que experimentam cocaína se tornam dependentes. A freqüência ou quantidade de maconha que leva a pessoa a se tornar dependente não é fixa, mas quanto mais freqüentemente a droga for usada, maior a chance da pessoa se tornar um dependente. Há também evidências de que o uso da maconha altera o grau de tolerância à droga, isto é, a pessoa tem de aumentar as doses após certo tempo para que a droga continue a fazer efeito. Hoje em dia, a dependência da maconha é vista da mesma forma que a de outras drogas.

Mito: Não há quem não tenha experimentado maconha
Verdade: A maconha é a droga ilícita (ilegal) mais experimentada no Brasil, mas isto não significa que todo mundo já a experimentou. Os meninos de rua são os maiores experimentadores (60% deles já usou uma vez). No caso dos estudantes de 1º e 2º graus, 7,6% já experimentou, e esta taxa está aumentando a cada ano. Uma pesquisa feita com universitários em SP mostra que 30,6% deles já experimentou maconha. Quando o tema é uso constante, essas taxas caem, mostrando que não é verdadeira a afirmação de que todo mundo fuma maconha.

Mito: Se eu fumo um baseado, isto significa que sou um viciado?
Verdade: Não se fica 'viciado' fumando um cigarro de maconha. Porém, uma vez constatado este uso, é importante pensar sobre a experiência, que pode, muitas vezes, ter muito impacto na sua vida. Deve-se ter em mente esta experiência para evitar que o consumo se torne regular e comece a afetar outras atividades na sua vida. É importante que você busque diálogo sobre o assunto com a família, amigos ou até um profissional especializado. Também é importante compartilhar os sentimentos associados ao uso e mesmo se informar sobre esta droga que você usou ou está usando.

Fiquem bem!

Marcelo Alvares
marceloalvares@terra.com.br

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Total: 62 Comentários
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ENVIADO POR: Jurema (jurema@camomila.com.br)
Eu acho que tdo na vida eh permitido desde que nao atrapalhe e nem prejudique ng, entao a partir do momento que seu baseadinho vai prejudicar alguem ao seu redor o melhor eh nao fumar... mas tdo na vida tem que ter moderacao, um ou outro de vez em qdo p relaxar nao da nada!
ENVIADO POR: lucas (fodapracaraiu@hotmail.com)
eh simples.... se voce tiver a cabeça boa... e sempre trabalhar o cerebro, nao ser um vagal.... nao vai ser a maconha que vai te atrapalhar.... eu estudo.... trabalho desde os meus 15 anos.... fumo maconha desde os 15 tbm... e nunca me atrapalhou em nada, nao incentivo ninguem a fumar, mas tambem nao falo que faz mal!
ENVIADO POR: O louco (ora.porra@hotmail.com)
Fumo maconha faz um tempão e adoro. A sensação de prazer, de relaxamento, de euforia, de sentir-se como se eu estivesse sendo massageado me enlouquece. Adoro e sempre que posso fumo um. Hoje que estou desempregado fumo todo dia e o dia todo, mas quando estava a trabalhar fumava um para, pelo menos, dormir. Entendo as críticas e mesmo adorando a erva, tenho uns comentários a fazer. Fazer mal até manteiga, refrigerante, pastel de feira e bacon faz. O importante é tirar da erva ou do tráfico a culpa e por ela em quam faz uso errado ou inoportuno do que foi feito por Deus "para nos servir de mantimento". Eu percebi que maconha é pra ser fumada por quem está de folga, sem compromissos e com a vida profissional estabilizada. Fumar maconha de dez horas da manhã, quando se deveria estar estudando pra um vestibular, concurso ou mesmo trabalhando é se atrapalhar na vida e dar margens pros caretas nos criticarem ainda mais. Deve-se separar as horas do laser e as horas de trabalho. Confundidas umas com as outras é problema na certa e a pobre maconha é quem vai pagar o pato. Portanto, continuemos a queimar tudo até a última ponta, mas com responsabilidade, claro.



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